21 março 2013

Dia Mundial da Poesia



Aqui fica o meu presente para todos aqueles que têm a poesia em si!
Um belo arco-íris visto e captado da minha varanda... Aliás, não um mas dois! Porque na natureza vem tudo aos pares. Se na outra ponta tinha um pote de ouro, não vi, mas que estava carregado de boas energias lá isso estava. :-)


Para quem tem o dom da palavra e gosta de escrevinhar umas letras, para aqueles que fazem das palavras pontes, ou simplesmente para os que ficam numa atitude de receptores,  partilho um poema de Luís Fernando Veríssimo, 

"A invenção do "O"

Na era da pedra lascada
da língua falada
antes de inventarem a letra
que imitava a lua
as palavras diziam nada
e nada levava a nada
(aliás, nem precisava rua).
A frase ficava estática
de maneira majestática
a grandes falas presumíveis
permaneciam indizíveis
- imagens invisíveis
a distâncias invencíveis.
Vivia-se em cavernas mentais
numa inércia dramática.
Ir e vir, nem pensar
ninguém mudava de lugar
que dirá de sintática.
Aí inventaram o "O"
e foi algo portentoso.
Assombroso, maravilhoso.
Tudo começou a rolar
e a se movimentar.
O Homem ganhou "horizontes"
e palavras viraram pontes
e hoje existe a convicção
que sem a sua invenção
não haveria Civilização.
Um dia, como o raio inaugural
sobre aquela célula do pantanal
que deu vida a tudo,
veio o acento agudo.
E o homem pôde cantar vitória.
E começou a história.
(Depois ficamos retóricos
e até um pouco gongóricos)."






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