04 julho 2009

Homenagem ao Sol e aos nossos ancestrais Celtas



"AO SOL

Eu te saúdo, Sol das estações,

Na tua viagem pelos altos céus.

Rasto indelével no cimo dos montes,

Senhor amável de todas as estrelas.


Mergulhas sereno nas trevas do mar

Ninguém te toca e nada tu sofres.

Depois te levantas da calma das ondas

Como jovem príncipe coroado de rosas."

(poema do livro “ A Perfeita Harmonia” de José Domingos Morais)



Os povos Celtas viviam em perfeita harmonia com a natureza, cultuando o que dela provinha e do simples faziam grandioso!
Inicialmente (quando ainda não tinham a influência romana), não construíam templos para a adoração dos seus deuses, e sim, mantinham altares nos bosques destinados a serem locais de adoração. Era nas clareiras no coração das profundas florestas, nas grutas, ou em pequenos vales mais afastados da civilização que os druidas transmitiam o seu saber imemorial e do qual infelizmente não deixaram testemunhos escritos. Todo o conhecimento foi sendo repassado apenas oralmente.
Algumas árvores eram consideradas sagradas, como é o caso do Carvalho e escolhiam os bosques onde estes cresciam para realizarem as suas celebrações e nenhum ritual era feito sem as suas folhas. O visco, que crescia nos carvalhos era muito venerado e até usado na medicina.
Segundo Plínio (naturalista romano), quando o visco era encontrado, colhiam-no com solenidade e de preferência ao sexto dia da Lua, porque aí a lua tem muito vigor e não percorreu ainda metade do seu curso. Ao sexto dia, já esta saiu da área luminosa do Sol (Lua Nova) e está a entrar no quarto crescente. Isto mostra que os Celtas se guiavam pelas fases da Lua.
Em astrologia as fases, ou quartos, estão directamente relacionados com os ciclos da Lua-Sol. Começa com a Conjunção dos luminares (Lua Nova), em que a Lua fica oculta (a noite escura da morte na cultura Celta), e prolonga-se até à quadratura entre eles (quarto crescente), o crescente lunar atribuído à donzela Nimué. O 2º quarto, crescente em luz, vai deste até à Lua Cheia fase em que a Lua tem o máximo de visibilidade, por ser o ponto mais afastado em relação ao Sol e é atribuída à deusa Mãe, com o seu ventre inchado de vida. No 3º quarto há uma diminuição do seu brilho e prolonga-se até o quarto minguante, a anciã (Anu) sábia e poderosa que desaparece na Lua Nova (morte). A Lua nova representa a morte e nascimento, um ciclo que se renova interminavelmente.
Para os Celtas o tempo não era linear, mas circular, cíclico, tal como um mapa astral. Além da Lua, orientavam-se também pelas estações e o ano Celta era marcado por quatro grandes eventos. O 1º que marcava o inicio da Primavera e celebrava o fim do Inverno e retorno do tempo quente e era também associado a Brigit, uma deusa Mãe, guardiã do aprendizado, das profecias e da poesia. O 2º acontecia na 1ª lua cheia a seguir ao que é hoje 1 de Maio, e celebrava a fertilidade da terra e dos animais. O 3º era o festival de verão e estava relacionado com as colheitas e o 4º, a mais importante das cerimónias porque marcava o fim de um ciclo e começo de outro. Era o ano novo celta. Marcava o final do verão e a época de recolher os rebanhos das pastagens. Este festival tinha uma forte associação com a morte devido à aproximação do inverno. Hoje associam-se estas cerimónias à noite de Halloween e 1 de Novembro (dia de todos os santos).
Em todas estas cerimónias o principal elemento era o fogo. Fogo que bem se pode associar ao calor do Sol.

3 comentários:

Madalena disse...

Que lindo Rosa!
Por aí vê-se a suma importancia dos transitos lunares , e da relação Sol/lua para nossas vidas.
Parabéns pelo seu blog.
Com carinho.

Madalena disse...

... corretamente falando , a importancia dos ciclos soli-lunares ;)

Morgana disse...

Obrigada Madalena :)
O meu blog é ainda um bebé a aprender a dar os primeiros passos... mas que me está a dar enorme prazer!

bjs