26 julho 2009

Achernar, uma estrela fixa



As estrelas fixas fazem parte do firmamento, a mais alta das esferas celestes, formam as constelações e são o pano de fundo sobre o qual os planetas se movimentam.
Em astrologia são de grande importância, dando muita força àquilo que tocam, e mesmo não alterando um mapa, acrescentam pequenos toques e podem ser causadoras de instabilidade. Actuam apenas por conjunção.


Usando o meu mapa como cobaia, junto ao ascendente e Saturno, encontra-se Achernar uma estrela da natureza de Júpiter, que confere honras e boa sorte e induz à caridade e religiosidade.
Tratando-se do ascendente, esta estrela contribui para um comportamento com bons modos. Justiça e piedade e mais uma dose de modéstia (já não me bastava Saturno! ).
Sorte até tenho, quanto às honras e riqueza pelos vistos andam a passar-me ao lado. Deve ser por o planeta se encontrar no signo do seu Exílio (Gémeos) e que me leva a não saber aproveitar as oportunidades. Saturno no conjunto também cria alguns limites.


Não sigo nenhuma religião, no entanto, não deixo de ter a minha própria fé.
Recordo-me de em criança, no 1º ano de escolaridade, o padre ir à escola ensinar-nos o catecismo e pelo menos em uma vez eu e um grupinho de colegas fomos levar a professora até a paragem do autocarro e pelo caminho de terra batida lá fomos nós dizendo e cantarolando as orações em coro. Eu tinha uma predilecção muito especial por Jesus Cristo e por causa daquele episódio em que ele andou sobre as águas sem ir ao fundo, desenhei-o em cima do mar. Durante muito tempo lembrei-me daquele desenho com orgulho, até que um dia passados uns anos, tornei a vê-lo e para minha surpresa, o mar mais parecia um aquário. Ainda hoje, costumo brincar com isso, dizendo que desenhei Jesus Cristo dentro de um aquário.
Já no 2º ano, com uma nova professora que me levava de carro para a escola (morava numa aldeia e ia à escola noutra), num belo dia de aulas em que estava marcada a nossa 1ª comunhão, pelo caminho encontrámos um grande obstáculo. Uma árvore caída a toda a largura da estrada e que nos impediu de chegar a tempo. Resultado, eu fui a única que não fez a 1ª comunhão. Trapalhadas de um Júpiter debilitado ou obstáculos de Saturno.


Achernar deriva do árabe e significa “o fim do rio”, o rio Eridano, (ou Eridanus) como a constelação à qual pertence e que se encontra no hemisfério celestial sul. É um dos cinco rios que cruzam Hades na mitologia grega, mas não se sabe ao certo a que rio “real” corresponde. O Eridano é mencionado em escritos da Grécia Antiga como sendo um rio na região norte da Europa e tanto poderia ser o rio Pó, como o Nilo ou o Danúbio. Eufrates (Iraque e Turquia) também é uma possibilidade a considerar.


Segundo a lenda, Phaeton por imprudência, tomou as rédeas dos animais que puxavam a carruagem que conduzia o Sol e não tendo conseguido dominá-los, precipitou o veículo sobre a terra, secando os rios e incendiando as florestas. Zeus, ou Júpiter foi em auxilio e para salvar o universo acabou por o fulminar com o seu raio, caindo este ferido, no rio Eridano onde se afogou. As Helíadas ficaram tão sentidas com a perda do irmão que se fartaram de chorar e os deuses com pena delas transformaram-nas em 3 carvalhos. As suas lágrimas no entanto, continuaram a fluir e quando caíam ao rio transformavam-se em âmbar.
Por causa desta lenda, o âmbar tem sido considerado ao longo dos tempos um símbolo de amor fraterno.

09 julho 2009

Ceridwen ou a Papisa

Encho os olhos com as minhas cartinhas novas...Uma encomenda feita pela net :)
(novas como quem diz... já têm algum tempo nas minhas mãos, mas o uso ainda é pouco). Para trabalhar, continuo a usar o meu velhinho e gasto Golden Rider, o meu amigo insubstituível.
É lindo este baralho de Anna-Marie Ferguson, (pena as lâminas não serem um pouco mais pequenas...).
Fico tempo a fio a apreciar a beleza das imagens, cada traço, cada pincelada de cor...uma autêntica obra de arte.

Resolvi colocar aqui a carta da Papisa ou sacerdotisa, neste baralho representada por Ceridwen, que na mitologia celta vivia no País de Gales e tanto era uma deusa, como bruxa ou feiticeira. Deusa da morte, da fertilidade, da regeneração, da inspiração, magia, astrologia, ervas, poesia, encantamentos e conhecimento.
Para os galeses, uma Deusa Tríplice ( donzela, mãe e mulher idosa).

No Llewellyn tarot Ceridwen aparece sentada em uma belíssima paisagem verdejante e a seus pés um riacho de água límpida e corrente. Na cabeça uma meia Lua. O quarto crescente da Lua é o símbolo da sua feitiçaria, e este poder tanto pode ser usado pela Papisa de forma construtiva como destrutiva. São as outras cartas à sua volta no lançamento que vão determinar se a influência desta é benigna ou maligna. A Lua também é a intuição e o poder feminino.
A Papisa possui a percepção psíquica, a capacidade de curar e a força do signo de Escorpião.
A capa e o véu habituais e que simbolizam os mistérios do inconsciente, aqui foram substituídos por uma roupagem de verdura, como se ela fosse um prolongamento da própria natureza e por uma teia de aranha que desce da árvore e que faz a vez do véu.
A teia, pela sua aparente fragilidade, pode evocar aparências ilusórias, enganadoras.

A água também é símbolo do inconsciente, aliás, o que fica abaixo da sua superfície, mas nesta carta, julgo ter mais a ver com a sabedoria espiritual. Transborda da taça de pedra ( símbolo do espirito e da essência), que aqui substitui o caldeirão mágico. Água fonte de vida, poder de cura e regenerativa.
A Papisa, 2ª carta do tarot, guardadora de segredos e detentora da sabedoria espiritual, tem o poder de curar e dar apoio e posso ser eu mesma, quando lanço as cartas e pocuro nelas uma resposta...

04 julho 2009

Homenagem ao Sol e aos nossos ancestrais Celtas



"AO SOL

Eu te saúdo, Sol das estações,

Na tua viagem pelos altos céus.

Rasto indelével no cimo dos montes,

Senhor amável de todas as estrelas.


Mergulhas sereno nas trevas do mar

Ninguém te toca e nada tu sofres.

Depois te levantas da calma das ondas

Como jovem príncipe coroado de rosas."

(poema do livro “ A Perfeita Harmonia” de José Domingos Morais)



Os povos Celtas viviam em perfeita harmonia com a natureza, cultuando o que dela provinha e do simples faziam grandioso!
Inicialmente (quando ainda não tinham a influência romana), não construíam templos para a adoração dos seus deuses, e sim, mantinham altares nos bosques destinados a serem locais de adoração. Era nas clareiras no coração das profundas florestas, nas grutas, ou em pequenos vales mais afastados da civilização que os druidas transmitiam o seu saber imemorial e do qual infelizmente não deixaram testemunhos escritos. Todo o conhecimento foi sendo repassado apenas oralmente.
Algumas árvores eram consideradas sagradas, como é o caso do Carvalho e escolhiam os bosques onde estes cresciam para realizarem as suas celebrações e nenhum ritual era feito sem as suas folhas. O visco, que crescia nos carvalhos era muito venerado e até usado na medicina.
Segundo Plínio (naturalista romano), quando o visco era encontrado, colhiam-no com solenidade e de preferência ao sexto dia da Lua, porque aí a lua tem muito vigor e não percorreu ainda metade do seu curso. Ao sexto dia, já esta saiu da área luminosa do Sol (Lua Nova) e está a entrar no quarto crescente. Isto mostra que os Celtas se guiavam pelas fases da Lua.
Em astrologia as fases, ou quartos, estão directamente relacionados com os ciclos da Lua-Sol. Começa com a Conjunção dos luminares (Lua Nova), em que a Lua fica oculta (a noite escura da morte na cultura Celta), e prolonga-se até à quadratura entre eles (quarto crescente), o crescente lunar atribuído à donzela Nimué. O 2º quarto, crescente em luz, vai deste até à Lua Cheia fase em que a Lua tem o máximo de visibilidade, por ser o ponto mais afastado em relação ao Sol e é atribuída à deusa Mãe, com o seu ventre inchado de vida. No 3º quarto há uma diminuição do seu brilho e prolonga-se até o quarto minguante, a anciã (Anu) sábia e poderosa que desaparece na Lua Nova (morte). A Lua nova representa a morte e nascimento, um ciclo que se renova interminavelmente.
Para os Celtas o tempo não era linear, mas circular, cíclico, tal como um mapa astral. Além da Lua, orientavam-se também pelas estações e o ano Celta era marcado por quatro grandes eventos. O 1º que marcava o inicio da Primavera e celebrava o fim do Inverno e retorno do tempo quente e era também associado a Brigit, uma deusa Mãe, guardiã do aprendizado, das profecias e da poesia. O 2º acontecia na 1ª lua cheia a seguir ao que é hoje 1 de Maio, e celebrava a fertilidade da terra e dos animais. O 3º era o festival de verão e estava relacionado com as colheitas e o 4º, a mais importante das cerimónias porque marcava o fim de um ciclo e começo de outro. Era o ano novo celta. Marcava o final do verão e a época de recolher os rebanhos das pastagens. Este festival tinha uma forte associação com a morte devido à aproximação do inverno. Hoje associam-se estas cerimónias à noite de Halloween e 1 de Novembro (dia de todos os santos).
Em todas estas cerimónias o principal elemento era o fogo. Fogo que bem se pode associar ao calor do Sol.